Como os Brasileiros Estão Mudando a Forma de Investir
Os ETFs estão ganhando espaço entre os brasileiros. Entenda por que esse investimento cresceu, como funciona e o que mudou na relação com o dinheiro no Brasil.
Por: Carlo Frederico Leite
9/21/202614 min read


Como os Brasileiros Estão Mudando a Forma de Investir
Os ETFs estão ganhando espaço entre os brasileiros. Entenda por que esse investimento cresceu, como funciona e o que mudou na relação com o dinheiro.
Durante muito tempo, investir parecia coisa de especialista
Durante muito tempo, quando alguém falava em investir na bolsa de valores, eu imaginava uma cena que provavelmente também passou pela cabeça de muita gente: uma sala cheia de números, gráficos subindo e descendo, pessoas acompanhando notícias econômicas e uma quantidade enorme de palavras que pareciam pertencer a um idioma próprio.
P/L, ROE, dividendos, Ibovespa, mercado futuro, dólar, juros, ações, fundos...
Para quem estava de fora, tudo aquilo parecia distante.
E talvez seja justamente por isso que uma transformação que está acontecendo no mercado brasileiro mereça nossa atenção.
Não estou falando apenas do crescimento da quantidade de dinheiro investido. Estou falando de uma mudança mais profunda: mais pessoas estão entrando em produtos que antes pareciam reservados a investidores mais experientes.
Um dos exemplos mais interessantes dessa transformação está acontecendo com os ETFs, sigla para Exchange Traded Funds, que podemos traduzir como fundos negociados em bolsa.
A B3 divulgou em setembro de 2026 um dado bastante expressivo. O número de pessoas físicas com ETFs na carteira passou de 639 mil em junho de 2025 para 862 mil no encerramento do segundo trimestre de 2026. Foram 223 mil novos investidores em um ano, crescimento de 34%. No mesmo período, o valor em custódia desses investidores passou de R$ 26,9 bilhões para R$ 35,1 bilhões, uma alta de 62%.
Quando eu olho para um número desses, não penso imediatamente que os ETFs ficaram “bons” ou que todo mundo deveria começar a investir neles.
Penso em outra coisa:
O que está acontecendo com a maneira como o brasileiro se relaciona com os investimentos?
Porque talvez essa seja uma história muito maior do que o próprio ETF.
O que é um ETF e por que ele chama tanta atenção?
Vamos tirar a palavra complicada da frente.
ETF é um fundo de investimento negociado em bolsa que normalmente busca acompanhar determinado índice ou conjunto de ativos. Em vez de o investidor comprar individualmente cada ativo que compõe aquela carteira, ele compra cotas de um fundo que possui aquela estrutura.
Imagine que você queira ter exposição a uma cesta de empresas.
Em vez de precisar escolher empresa por empresa, estudar cada balanço, decidir quanto colocar em cada uma e depois acompanhar individualmente todas essas posições, um ETF pode oferecer exposição a uma carteira que segue determinado índice ou estratégia.
É claro que isso não elimina a necessidade de entender o investimento. O ETF possui regras próprias, custos, riscos, composição e comportamento de mercado. Mas a estrutura permite que uma única cota represente uma exposição diversificada a vários ativos.
É justamente essa combinação entre diversificação, negociação em bolsa e praticidade que ajuda a explicar por que os ETFs despertam interesse. A B3 destaca que existem ETFs ligados a diferentes classes de ativos, incluindo ações, renda fixa, mercados internacionais, setores específicos e outras estratégias.
E aqui já aparece uma diferença importante em relação à imagem tradicional que muita gente ainda possui da bolsa.
Você não precisa necessariamente passar a manhã inteira escolhendo ações individualmente para começar a entender o mercado.
Existem instrumentos que permitem uma exposição mais ampla em uma única operação.
Isso não torna o investimento automaticamente simples.
Mas torna o acesso diferente.
A bolsa ficou mais perto das pessoas
Quando comecei a observar a evolução do mercado financeiro brasileiro, uma coisa ficou cada vez mais evidente para mim: a tecnologia mudou a distância entre uma pessoa comum e um investimento.
Hoje, abrir uma conta em uma instituição financeira, acompanhar uma aplicação, consultar uma cotação ou realizar uma operação é muito diferente do que era para gerações anteriores.
O celular colocou praticamente tudo dentro de uma tela.
Isso é extraordinário.
Mas também cria uma responsabilidade que às vezes esquecemos.
Facilidade para acessar não significa facilidade para compreender.
Essa diferença é fundamental.
Eu posso abrir uma plataforma de investimentos em poucos minutos. Posso encontrar dezenas ou centenas de produtos. Posso visualizar rentabilidades, gráficos, índices e comparações. Posso comprar e vender ativos com poucos toques.
Mas nada disso garante que eu saiba o que estou fazendo.
É aí que entra a educação financeira.
E é também aí que os ETFs se tornam um assunto interessante para o Bora Organizar.
Porque eles representam uma espécie de encontro entre duas coisas que cresceram muito nos últimos anos: tecnologia e democratização do acesso aos investimentos.
A B3 informou recentemente que, além dos ETFs, ações, fundos listados, renda fixa e Tesouro Direto também ampliaram suas bases de investidores. Ou seja, não estamos falando de um fenômeno isolado de um único produto.
Existe uma mudança mais ampla acontecendo.
O novo investidor não precisa saber escolher uma empresa por vez
Existe uma imagem muito forte no imaginário popular de que investir em bolsa significa encontrar “a próxima grande empresa”.
A pessoa procura uma ação que vai subir, acompanha notícias, observa gráficos, tenta descobrir se o preço está barato e começa a construir uma carteira escolhendo empresas individualmente.
Isso continua existindo.
Mas não é a única maneira de participar do mercado.
Um ETF pode seguir um índice amplo, um determinado setor, uma estratégia de dividendos, empresas de determinado tamanho, ativos internacionais ou até determinadas categorias de renda fixa.
Essa variedade mudou a conversa.
E eu acho importante explicar isso porque existe uma diferença entre investir em uma empresa e investir em uma carteira por meio de um fundo de índice.
Quando compro uma ação individual, estou concentrando minha exposição naquela companhia.
Quando compro uma cota de um ETF que acompanha uma carteira ampla, minha exposição pode estar distribuída entre diversos ativos.
Essa diversificação pode reduzir o impacto que o problema específico de uma única empresa teria sobre a carteira, embora não elimine o risco de perdas. Um ETF de ações continua sujeito às oscilações do mercado de ações, por exemplo.
A diversificação não é um escudo contra qualquer perda.
Ela é uma forma de não depender completamente de um único ativo.
E isso muda bastante a maneira de pensar patrimônio.
Mas existe uma armadilha escondida na praticidade
Eu gosto da ideia de simplificar o acesso aos investimentos.
O que eu não gosto é quando confundimos simplicidade operacional com ausência de risco.
Comprar uma cota pode ser simples.
Entender o que existe dentro daquela cota é outra história.
É perfeitamente possível comprar um ETF sem saber exatamente qual índice ele acompanha, quais ativos estão dentro dele, qual é sua taxa de administração, qual é sua liquidez, qual é o comportamento histórico daquela classe de ativos ou quais são os riscos envolvidos.
Aí a facilidade vira um problema.
Porque o investidor pode começar a tratar um produto financeiro como se estivesse comprando um produto de supermercado.
“Esse aqui está subindo.”
“Esse aqui teve uma rentabilidade maior.”
“Esse aqui está barato.”
“Esse aqui apareceu nas redes sociais.”
E pronto.
Compra feita.
Só que investimento não é uma compra comum.
Quando compro um aparelho eletrônico, posso avaliar preço, qualidade e utilidade. Se me arrepender, posso simplesmente deixar de usá-lo.
Quando coloco meu patrimônio em um investimento, estou tomando uma decisão que pode afetar objetivos que estão a anos ou décadas de distância.
Por isso, a pergunta não deveria ser apenas:
“Quanto rendeu?”
Eu deveria perguntar:
“O que estou comprando?”
O ETF não elimina a necessidade de diversificação
Existe uma frase que eu gostaria de evitar porque ela pode causar uma interpretação perigosa:
“ETF já é diversificação, então está tudo resolvido.”
Não.
Depende do ETF.
Um ETF que acompanha um índice amplo de ações pode possuir dezenas ou centenas de empresas. Já um ETF concentrado em um setor específico pode colocar o investidor diante de uma exposição muito mais concentrada.
Imagine um ETF dedicado a determinado segmento da economia.
Mesmo que ele possua várias empresas, todas podem responder de maneira parecida a determinadas condições econômicas.
Se o setor enfrenta uma crise, várias posições podem cair ao mesmo tempo.
Portanto, diversificar não significa simplesmente contar quantos ativos existem dentro de um produto.
É preciso observar o que esses ativos têm em comum.
Esse raciocínio vale para toda carteira de investimentos.
Diversificação envolve diferentes empresas, setores, classes de ativos, prazos e, em determinadas estratégias, até diferentes países e moedas.
A própria B3 destaca a diversificação entre diferentes tipos de ativos, setores, indexadores e mercados como uma estratégia relevante para a construção de carteiras.
E por que os ETFs estão crescendo justamente agora?
Eu acho que existem várias respostas para essa pergunta.
A primeira é a facilidade.
A segunda é a possibilidade de diversificação.
A terceira é a variedade de produtos.
E existe uma quarta, que considero especialmente importante: o brasileiro está tendo mais contato com informação financeira.
Isso não significa que todo mundo esteja se tornando especialista.
Significa que investimentos deixaram de ser uma conversa restrita ao gerente do banco ou ao profissional que trabalhava dentro de uma corretora.
Hoje, as pessoas encontram conteúdos sobre investimentos no YouTube, Instagram, TikTok, podcasts, sites especializados e aplicativos.
Isso tem um lado muito positivo.
Uma pessoa que nunca ouviu falar em ETF pode descobrir que esse tipo de produto existe.
Mas existe também um lado que merece cuidado.
Informação financeira em excesso pode produzir a sensação de conhecimento antes que o conhecimento realmente exista.
Eu posso assistir a vinte vídeos sobre bolsa e continuar sem saber explicar por que determinada carteira faz sentido para determinado objetivo.
Posso conhecer todas as siglas e ainda não saber quanto posso perder.
Posso saber o que é Dividend Yield e não entender a diferença entre renda e valorização.
Posso conhecer o nome de dez ETFs e não saber qual é o risco de cada estratégia.
É por isso que educação financeira não pode ser apenas transmissão de informação.
Ela precisa ensinar a pensar.
O investidor brasileiro também está aprendendo a olhar para fora do país
Outro aspecto interessante dos ETFs é que eles ampliaram a possibilidade de acesso a mercados internacionais.
Existem ETFs que permitem exposição a índices e carteiras estrangeiras sem que o investidor precise montar diretamente uma carteira inteira fora do Brasil.
A B3 informa que a oferta de ETFs inclui produtos ligados a mercados internacionais, além de diferentes setores e classes de ativos.
Isso representa uma mudança importante.
Durante muito tempo, pensar em investir no exterior parecia uma coisa distante para o brasileiro comum.
Hoje, a possibilidade de diversificação geográfica está muito mais presente nas plataformas de investimentos.
Mas novamente precisamos separar duas coisas.
Ter acesso ao exterior é uma possibilidade. Não é uma obrigação.
Não existe uma regra dizendo que todo investidor precisa ter investimentos internacionais.
O que existe é uma ampliação das ferramentas disponíveis.
E quanto mais ferramentas aparecem, mais importante fica saber escolher de acordo com objetivos, prazo e tolerância a risco.
O perigo de transformar investimento em aplicativo de compras
Existe uma cena que me preocupa um pouco quando penso nessa nova geração de investidores.
A pessoa abre o aplicativo.
Vê vários ativos.
Olha os que subiram.
Escolhe um.
Depois vê outro.
Compra mais um.
No mês seguinte aparece uma nova tendência.
Troca.
Depois alguém nas redes sociais fala de outro produto.
Troca novamente.
E, sem perceber, aquilo que deveria ser uma estratégia de construção de patrimônio vira uma coleção de compras financeiras.
É quase como se o aplicativo estivesse sempre perguntando:
“E agora, o que você quer comprar?”
Mas a pergunta correta deveria ser outra:
“Qual é o seu objetivo?”
Essa mudança de pergunta é enorme.
Se meu objetivo é construir uma reserva para uma emergência, preciso de características diferentes de alguém que está acumulando patrimônio para a aposentadoria.
Se estou guardando dinheiro para uma viagem daqui a oito meses, não devo pensar exatamente como alguém que possui um horizonte de vinte anos.
Se estou construindo patrimônio para o futuro, posso aceitar determinadas oscilações que seriam inadequadas para um dinheiro que vou precisar em breve.
O investimento deveria servir ao objetivo.
Não o objetivo servir ao investimento que apareceu na tela.
O ETF pode ser simples, mas a decisão continua sendo pessoal
Uma das coisas que mais gosto nos ETFs é justamente a capacidade de simplificar determinadas estratégias.
Mas isso não significa que exista um ETF “certo” para todo mundo.
Uma pessoa pode ter necessidade de renda fixa.
Outra pode estar construindo patrimônio de longo prazo.
Outra pode estar tentando diversificar internacionalmente.
Outra pode ter pouca tolerância a oscilações.
Outra pode estar começando e ainda precisar organizar dívidas, orçamento e reserva de emergência antes de pensar em aumentar a exposição à renda variável.
É por isso que eu não gostaria que este artigo terminasse com uma lista de ETFs.
Isso seria muito fácil.
Eu poderia colocar dez códigos, dizer o que cada um acompanha e chamar isso de educação financeira.
Mas não seria suficiente.
O que me interessa é ensinar o leitor a olhar para qualquer ETF e fazer perguntas.
Qual índice ele acompanha?
O que existe dentro dele?
Qual é o objetivo desse fundo?
Qual é a taxa cobrada?
Como funciona sua negociação?
Qual é o risco?
Qual é o prazo que tenho em mente?
Esse investimento tem relação com o objetivo para o qual estou guardando dinheiro?
Essas perguntas continuam válidas independentemente do nome ou do código do ETF.
E quanto custa investir?
Custo é outra parte que muitas vezes fica escondida quando alguém apresenta apenas a rentabilidade.
Os ETFs possuem despesas, como a taxa de administração, e podem existir outros custos relacionados às operações, dependendo da instituição e da operação realizada.
A B3 explica que a taxa de administração já é refletida no desempenho divulgado pelo fundo, enquanto outros custos podem depender das condições da negociação e da instituição utilizada.
Isso é importante porque pequenas diferenças de custos podem ganhar importância ao longo de muitos anos.
Quando pensamos em patrimônio de longo prazo, não estamos falando apenas de quanto um investimento pode render.
Estamos falando também de quanto do resultado fica efetivamente com o investidor depois dos custos e da tributação aplicável.
E os impostos?
Aqui eu quero fazer uma ressalva importante porque tributação é uma área em que uma informação antiga pode induzir o investidor ao erro.
As regras dependem do tipo de ETF e da natureza da operação.
Para ETFs de ações, a B3 informa atualmente tributação de 15% sobre o ganho de capital nas operações comuns e 20% nas operações de day trade. Já ETFs de renda fixa possuem regras tributárias próprias, relacionadas às características dos títulos da carteira.
Isso significa que não devemos decorar uma única regra e aplicar a todos os ETFs.
O próprio tipo de fundo importa.
Além disso, existem obrigações relacionadas à declaração de investimentos e ao tratamento dos resultados.
É um detalhe técnico, mas faz parte da educação financeira.
Investir não termina quando apertamos o botão de compra.
Existe acompanhamento.
Existe declaração.
Existe tributação.
Existe organização.
E existe a necessidade de saber exatamente o que temos.
O crescimento dos ETFs não significa que o brasileiro abandonou a renda fixa
Essa é outra conclusão que eu evitaria.
Quando vemos uma notícia dizendo que ETFs estão crescendo, pode surgir a impressão de que o brasileiro está abandonando investimentos mais tradicionais.
Os dados disponíveis não mostram uma história tão simples.
A própria B3 informou crescimento da base de investidores em diferentes classes de ativos, incluindo renda fixa e Tesouro Direto.
Isso faz sentido.
Uma carteira não precisa ser uma disputa entre renda fixa e renda variável.
Para muita gente, a construção patrimonial envolve diferentes instrumentos, cada um cumprindo uma função.
A renda fixa pode participar de determinados objetivos.
A renda variável pode cumprir outra função.
Um ETF pode ser uma ferramenta dentro dessa estrutura.
Uma reserva de emergência possui uma finalidade específica.
Um dinheiro destinado à aposentadoria possui outra.
O erro começa quando transformamos uma ferramenta em uma religião.
“Eu só invisto em renda fixa.”
“Eu só invisto em ações.”
“Eu só compro ETF.”
“Eu só compro imóveis.”
O dinheiro é mais complexo do que isso.
O que está mudando não é apenas o investimento. É o investidor
Talvez essa seja a parte mais interessante de tudo.
O crescimento dos ETFs não representa somente o crescimento de um produto financeiro.
Ele mostra que o investidor brasileiro está encontrando novas maneiras de acessar o mercado.
Em setembro de 2026, a B3 chegou a registrar 862 mil CPFs de pessoas físicas com ETFs, número que se aproximou de um milhão de investidores nessa modalidade.
Esse movimento acontece ao mesmo tempo em que aumentam as ferramentas digitais, a oferta de informação e a possibilidade de acessar diferentes mercados.
O investidor de hoje tem diante de si uma quantidade de alternativas que provavelmente não estava disponível para seus pais na mesma facilidade.
Isso é uma conquista.
Mas também é um desafio.
Porque antigamente o problema podia ser não ter acesso.
Hoje, para muita gente, o problema começa a ser ter acesso a coisas demais sem saber exatamente o que fazer com elas.
E essa diferença muda completamente o papel da educação financeira.
O futuro talvez não seja escolher o investimento perfeito
Eu gosto de pensar que construção de patrimônio não deveria ser uma busca permanente pelo investimento perfeito.
Porque ele provavelmente não existe.
O que existe é uma combinação entre objetivo, prazo, risco, conhecimento, capacidade financeira e disciplina.
Um investimento que faz sentido para uma pessoa pode não fazer para outra.
Um ETF pode ser uma ferramenta muito interessante dentro de uma estratégia e completamente inadequado para determinado objetivo de curto prazo.
Uma carteira diversificada pode reduzir determinados riscos, mas não elimina perdas.
Um produto simples pode continuar exigindo conhecimento.
E uma rentabilidade passada nunca garante o resultado futuro.
A própria B3 alerta que desempenho passado não representa garantia de rentabilidade futura ao tratar de ETFs.
Isso parece uma frase conhecida, quase automática.
Mas quando pensamos seriamente sobre ela, percebemos o tamanho da mensagem.
Investir é tomar decisões em um ambiente onde o futuro não está disponível para consulta.
Talvez a verdadeira mudança seja esta
Eu comecei este artigo falando sobre como investir parecia, durante muito tempo, uma atividade reservada para especialistas.
Hoje, essa distância diminuiu.
O celular aproximou o mercado.
As plataformas facilitaram o acesso.
Os ETFs simplificaram determinadas formas de diversificação.
A informação está mais disponível.
O investidor pessoa física está mais presente.
Os números da B3 mostram isso com clareza.
Mas eu não quero que a gente confunda essa transformação com o fim da necessidade de aprender.
Na verdade, talvez aconteça justamente o contrário.
Quanto mais fácil fica investir, mais importante fica saber por que estamos investindo.
Essa é uma ideia que eu gostaria de levar para todos os artigos do Bora Organizar.
Não precisamos transformar todo mundo em analista de mercado.
Não precisamos decorar centenas de indicadores.
Não precisamos acompanhar a bolsa o dia inteiro.
Precisamos compreender o suficiente para não entregar nossas decisões financeiras completamente para o aplicativo, para o influenciador, para o amigo que acabou de descobrir um investimento ou para o gráfico que subiu nos últimos meses.
Os ETFs estão crescendo.
A tecnologia está mudando o acesso.
O mercado está oferecendo mais alternativas.
E isso pode representar uma transformação importante na forma como os brasileiros constroem patrimônio.
Mas, no fim, continua existindo uma pergunta que nenhuma plataforma consegue responder pelo investidor:
Para que você está construindo o seu patrimônio?
Quando essa resposta está clara, os investimentos começam a ocupar o lugar que deveriam ocupar.
Eles deixam de ser o centro da vida financeira.
Passam a ser ferramentas.
E talvez seja justamente esse o sinal mais importante de maturidade financeira: não procurar desesperadamente o investimento que vai mudar a sua vida, mas aprender a construir uma vida financeira em que os investimentos tenham uma função clara dentro dela.








