As Novas Profissões Já Estão Chegando: O Que Vai Acontecer com os Empregos de Hoje e com o Dinheiro

As novas profissões já estão mudando o mercado de trabalho. Entenda o impacto da inteligência artificial nos empregos e nas finanças dos jovens brasileiros.

Por: Carlo Frederico Leite

9/14/202615 min read

imagem mostra varias profissões reunidas.
imagem mostra varias profissões reunidas.

As Novas ProfissõesEstão Chegando: O Que Vai Acontecer com os Empregos de Hoje e com o Dinheiro dos Jovens?

As novas profissões já estão mudando o mercado de trabalho. Entenda o impacto da inteligência artificial nos empregos e nas finanças dos jovens brasileiros.

Eu tenho acompanhado cada vez mais uma situação que, há alguns anos, pareceria coisa de filme: profissões estão surgindo tão rapidamente que algumas pessoas estão tentando se preparar para ocupar vagas que praticamente não existiam quando começaram a pensar na própria carreira.

Hoje encontramos especialistas em inteligência artificial, profissionais de dados, engenharia de fintech, segurança digital, automação, veículos elétricos, energias renováveis e uma série de funções que nasceram ou ganharam outra dimensão com a transformação tecnológica.

Ao mesmo tempo, algumas atividades tradicionais estão perdendo espaço.

E é justamente aqui que eu acho que precisamos tomar cuidado.

Quando alguém diz que a inteligência artificial vai acabar com os empregos, está simplificando demais uma transformação muito maior. A tecnologia não está simplesmente chegando para apagar todas as profissões antigas e colocar máquinas no lugar das pessoas. Em muitos casos, ela está mudando o que aquela pessoa faz durante o expediente, reduzindo algumas tarefas, criando outras e aumentando a importância de determinadas habilidades.

O mercado de trabalho está ficando diferente.

E essa mudança interessa muito ao jovem que está escolhendo uma profissão, procurando o primeiro emprego, tentando aumentar o salário ou começando a investir.

Porque existe uma pergunta que quase nunca aparece quando falamos sobre as profissões do futuro: o que acontece com a vida financeira de uma pessoa quando a profissão dela muda?

Essa, para mim, é uma das discussões mais importantes da educação financeira dos próximos anos.

O trabalho que conhecemos está mudando por dentro

O Fórum Econômico Mundial, no relatório Future of Jobs 2025, ouviu mais de mil empresas, representando mais de 14 milhões de trabalhadores em 55 economias, para entender como o mercado deve mudar até 2030.

O resultado é interessante justamente porque não aponta para um futuro sem trabalho.

A projeção é de aproximadamente 170 milhões de novos postos de trabalho criados até 2030 e 92 milhões de postos deslocados pelas transformações econômicas, tecnológicas, demográficas e ambientais. O saldo projetado seria positivo em 78 milhões de empregos.

Isso muda completamente a maneira como eu enxergo essa discussão.

O problema não parece ser simplesmente a falta de trabalho. O problema está também na distância entre o trabalho que deixa de ser necessário e as competências necessárias para ocupar o trabalho que está surgindo.

Entre os cargos que aparecem com maior crescimento percentual estão especialistas em big data, engenheiros de fintech, especialistas em inteligência artificial e aprendizado de máquina, desenvolvedores de software e aplicações, profissionais de segurança digital e especialistas ligados a veículos elétricos e autônomos, energia renovável e outras áreas tecnológicas.

Mas existe uma parte do relatório que eu considero ainda mais importante.

Entre os grandes grupos de empregos que devem crescer em quantidade também aparecem agricultores, trabalhadores da construção, motoristas e entregadores, vendedores, trabalhadores do processamento de alimentos, profissionais de enfermagem, assistência social e professores.

Ou seja, o futuro do trabalho não será formado apenas por pessoas sentadas diante de computadores programando inteligência artificial.

Esse é um erro que vejo com frequência quando o assunto aparece nas redes sociais.

A tecnologia cresce, mas a vida real continua precisando de pessoas.

Uma máquina pode ajudar a analisar dados, mas alguém precisa entender o problema que está sendo analisado. Um sistema pode automatizar uma atividade administrativa, mas alguém precisa definir o processo. Uma ferramenta pode produzir um texto, mas alguém precisa saber se aquilo faz sentido. Um aplicativo pode facilitar uma consulta médica, mas a assistência de saúde continua dependendo de profissionais.

O futuro pode ser altamente tecnológico sem deixar de ser profundamente humano.

Algumas profissões não vão desaparecer de uma vez. Elas vão encolher por dentro

Eu acho que essa é uma maneira muito melhor de explicar o que está acontecendo.

Imagine uma pessoa que trabalha há anos realizando tarefas administrativas repetitivas. Durante grande parte da sua carreira, ela pode ter passado horas preenchendo planilhas, conferindo documentos, digitando informações, organizando arquivos e preparando relatórios simples.

Agora imagine que uma empresa adota sistemas capazes de automatizar uma parte significativa desse trabalho.

A empresa talvez não precise simplesmente demitir todo mundo no dia seguinte.

Pode acontecer outra coisa.

Duas pessoas passam a fazer o trabalho que antes exigia cinco. Uma pessoa que antes apenas alimentava o sistema passa a supervisionar os resultados. Outra aprende a trabalhar com os dados gerados pela ferramenta. Uma terceira assume atividades que exigem relacionamento com clientes e tomada de decisão.

A profissão não desapareceu exatamente da noite para o dia.

Mas mudou de tamanho.

E essa diferença é enorme para quem está entrando no mercado.

O Fórum Econômico Mundial coloca entre os grupos com maior declínio esperado diversas funções administrativas e clericais, como caixas, digitadores, assistentes administrativos, funcionários de registros e algumas atividades de contabilidade e escrituração. A inteligência artificial, a digitalização e a automação estão entre os fatores que contribuem para essa mudança.

Isso não significa que ninguém mais trabalhará nessas áreas.

Significa que a quantidade de pessoas necessárias para executar determinadas tarefas pode diminuir.

E quando isso acontece, a disputa por algumas vagas aumenta.

É aí que começa a aparecer uma questão que eu considero muito mais importante do que decorar uma lista de profissões promissoras: qual parte do meu trabalho uma tecnologia consegue fazer melhor, mais rápido ou mais barato do que eu?

Essa pergunta pode ser desconfortável.

Mas também pode ser extremamente útil.

A inteligência artificial não está procurando somente programadores

Talvez uma das maiores mudanças seja justamente essa.

Durante muito tempo, quando falávamos de tecnologia, parecia que o assunto pertencia exclusivamente aos profissionais de informática.

Agora a inteligência artificial está entrando em praticamente todas as áreas.

Um advogado pode utilizar ferramentas de IA para pesquisar documentos e organizar informações. Um médico pode contar com sistemas de apoio à análise de exames. Um profissional de marketing pode utilizar ferramentas para pesquisar público, produzir versões de campanhas e analisar resultados. Um contador pode automatizar determinadas etapas do trabalho. Um professor pode preparar materiais, adaptar explicações e criar exercícios. Um pequeno empreendedor pode utilizar ferramentas que antes estavam disponíveis apenas para empresas maiores.

O profissional que sabe utilizar tecnologia começa a ter uma vantagem sobre aquele que continua executando tudo manualmente.

Mas existe uma segunda vantagem que considero ainda mais importante: saber fazer perguntas, avaliar respostas e tomar decisões.

O relatório do Fórum Econômico Mundial aponta inteligência artificial e big data, redes e cibersegurança e letramento tecnológico entre as competências que mais devem crescer até 2030. Ao mesmo tempo, pensamento criativo, resiliência, flexibilidade, agilidade e aprendizagem contínua também aparecem entre as habilidades em ascensão.

Isso diz alguma coisa que eu gostaria que todo jovem entendesse.

O futuro não será necessariamente de quem sabe mais tecnologia.

Pode ser de quem consegue combinar tecnologia com julgamento humano.

O profissional mais valioso pode ser aquele que consegue juntar duas coisas

Eu gosto de pensar que estamos entrando em uma fase em que conhecimento técnico e conhecimento humano precisarão caminhar juntos.

Um excelente programador que não consegue entender o cliente pode ter dificuldades.

Um ótimo vendedor que não sabe utilizar nenhuma ferramenta digital pode perder produtividade.

Um profissional de finanças que entende investimentos, mas não consegue interpretar dados ou utilizar novas tecnologias, pode ficar para trás.

Por outro lado, alguém que entende seu setor, sabe utilizar tecnologia, consegue aprender rapidamente e ainda consegue conversar com pessoas pode se tornar muito mais valioso.

É por isso que eu não recomendaria a um jovem simplesmente escolher a profissão que aparece em uma lista de “empregos do futuro”.

A tecnologia muda rápido demais para isso.

Uma habilidade construída pode durar muito mais do que um cargo específico.

Aprender a analisar problemas pode continuar sendo útil. Desenvolver uma boa comunicação também. Saber vender, compreender tecnologia, administrar dinheiro e trabalhar com pessoas são competências que atravessam diferentes profissões e podem acompanhar uma carreira mesmo quando o cargo, a empresa ou o setor mudam.

O Fórum Econômico Mundial estima que, se a força de trabalho mundial fosse formada por 100 pessoas, 59 precisariam de algum tipo de treinamento ou requalificação até 2030 para acompanhar a transformação do mercado.

Isso é enorme.

E mostra que a carreira do futuro provavelmente será menos parecida com uma estrada reta e mais parecida com uma trajetória em que precisamos fazer ajustes ao longo do caminho.

Mas onde entram as finanças pessoais nessa história?

É aqui que eu acho que o assunto fica realmente importante para o Bora Organizar.

Porque podemos passar horas falando sobre inteligência artificial, profissões emergentes e novas tecnologias, mas existe uma questão muito mais próxima da realidade de quem está começando a trabalhar: o que acontece se a minha renda mudar?

Um jovem pode escolher uma profissão hoje acreditando que terá uma determinada trajetória salarial. Pode conseguir um emprego e começar a pagar suas contas, comprar um celular, assumir um financiamento, morar sozinho, ajudar os pais, formar uma família e criar uma estrutura de vida baseada naquela renda.

Só que a profissão muda.

A empresa muda.

A tecnologia muda.

O mercado muda.

E, de repente, aquela renda que parecia segura já não é tão segura.

É por isso que educação financeira e educação profissional deveriam conversar muito mais.

Não basta preparar uma pessoa para conseguir um emprego. Precisamos ajudá-la a entender o que fazer com a renda quando ela chegar e como se proteger quando aquela renda mudar.

O jovem brasileiro está entrando em um mercado mais tecnológico sem necessariamente ter uma vida financeira preparada

Os dados mais recentes do Banco Central mostram uma situação que merece atenção.

O Relatório de Cidadania Financeira 2025 aponta que os jovens de 15 a 29 anos apresentaram inadimplência maior do que adultos em todas as modalidades de crédito analisadas em 2024. Entre os jovens com renda de até dois salários mínimos, 17,4% estavam inadimplentes; na faixa entre dois e cinco salários mínimos, eram 13,8%.

O próprio Banco Central levanta como hipótese uma combinação de menor controle financeiro, início da exposição a produtos de crédito e menor propensão ao planejamento financeiro de longo prazo. O relatório também observa que os jovens apresentam menor reserva de emergência e pensam menos em aposentadoria, além de apresentarem maior participação proporcional em criptoativos.

Isso não significa que o jovem seja irresponsável.

Essa conclusão seria injusta.

A pessoa está começando a vida financeira. Está aprendendo a lidar com cartão de crédito, empréstimos, contas, aplicativos bancários, Pix, investimentos, compras digitais e uma quantidade enorme de estímulos comerciais que não existiam da mesma maneira para gerações anteriores.

O problema é que o sistema financeiro evoluiu muito mais rápido do que a educação financeira de boa parte da população.

E agora o mercado de trabalho está fazendo a mesma coisa.

A tecnologia está acelerando de um lado e a necessidade de preparação financeira continua do outro.

Investir cedo continua sendo importante, mas não é suficiente

Eu gosto muito da ideia de um jovem começar a investir cedo.

O tempo é uma vantagem enorme.

Mas existe uma diferença entre começar a investir e estar financeiramente preparado.

Uma pessoa pode colocar R$ 100 por mês em um investimento e, ao mesmo tempo, gastar R$ 500 por mês no cartão de crédito pagando juros.

Nesse caso, o problema não está na escolha do investimento.

Está na estrutura financeira.

Pode acontecer algo parecido com a carreira.

Um jovem pode estudar inteligência artificial, aprender uma profissão valorizada e conseguir aumentar bastante sua renda.

Se todo aumento salarial virar aumento de padrão de vida, porém, a situação financeira pode continuar frágil.

Ganhar mais não significa automaticamente construir patrimônio.

Esse é um dos pontos que eu mais gostaria que os jovens percebessem.

A nova economia pode criar profissões com salários melhores, mas o dinheiro só se transforma em segurança quando parte dele é organizada, preservada e, quando fizer sentido, investida.

O Brasil já está mostrando que a cultura de investimentos está mudando

Apesar dos problemas, existe também uma notícia muito boa.

A nona edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), em parceria com o Datafolha, mostrou em 2026 que 36% da população brasileira possui algum tipo de investimento financeiro.

Em 2025, um quarto dos brasileiros fez algum tipo de aplicação financeira.

A pesquisa também mostra algo particularmente interessante para o nosso assunto: entre os investidores, 36% pertencem à Geração Z, considerando a faixa de 16 a 29 anos utilizada pelo levantamento.

Isso mostra que os jovens não estão fora do mercado de investimentos.

Eles estão entrando.

Ao mesmo tempo, o Banco Central aponta que justamente essa faixa etária enfrenta desafios maiores de inadimplência e planejamento de longo prazo.

Então temos uma situação interessante acontecendo diante dos nossos olhos.

Uma geração está chegando mais cedo aos investimentos, mas também precisa aprender mais cedo a lidar com crédito, risco, reserva de emergência e planejamento.

É como se o jovem tivesse recebido acesso a uma estrada financeira muito mais rápida, mas ainda estivesse aprendendo a dirigir.

A profissão pode mudar. O patrimônio precisa acompanhar

Eu penso muito nisso quando alguém fala que quer alcançar liberdade financeira.

A liberdade não deveria depender exclusivamente de uma profissão.

Se todo o seu futuro financeiro estiver baseado na capacidade de continuar exercendo exatamente a mesma atividade durante 30 anos, você está colocando uma parte muito grande do seu futuro nas mãos do mercado.

Uma situação mais resistente seria construir várias camadas. A primeira é a capacidade profissional, que sustenta a renda; depois vem a organização das despesas e a formação de uma reserva capaz de absorver períodos difíceis. Com o tempo, parte desse dinheiro pode ser direcionada aos investimentos, enquanto a pessoa continua desenvolvendo conhecimentos e habilidades que aumentem suas possibilidades profissionais.

Esse conjunto produz uma proteção que nenhum investimento isolado consegue oferecer.

Se a profissão mudar, existe capacidade de adaptação. Se a renda cair, existe alguma reserva. Se aparecer uma oportunidade melhor, há mais liberdade para avaliá-la. Se o salário aumentar, existe a possibilidade de transformar parte desse crescimento em patrimônio.

O investimento, nesse contexto, deixa de ser uma tentativa de escapar do trabalho e passa a ser uma maneira de diminuir a dependência futura dele.

E existe uma profissão que nenhuma tecnologia consegue garantir para você

Eu sei que essa frase pode parecer estranha, mas quero explicar.

Nenhuma inteligência artificial vai construir seu patrimônio por você.

Ela pode calcular, comparar, organizar, sugerir e acelerar tarefas. Mas alguém ainda precisa decidir quanto da renda será gasto, quanto será guardado, quais riscos fazem sentido e que tipo de vida aquela pessoa quer construir.

A tecnologia pode facilitar muito a administração financeira.

Mas não consegue substituir completamente a responsabilidade pela decisão.

Essa parte continua sendo humana.

E talvez seja justamente por isso que educação financeira esteja ficando ainda mais importante.

Quanto mais fácil fica ganhar informação, contratar crédito, comprar produtos, investir e movimentar dinheiro, maior também precisa ser nossa capacidade de escolher.

O que realmente vai substituir os empregos atuais?

Eu não acredito que exista uma resposta única.

Algumas tarefas serão automatizadas. Algumas profissões vão encolher. Algumas podem desaparecer gradualmente. Outras serão completamente remodeladas, enquanto novas ocupações continuarão surgindo em áreas que hoje ainda parecem pequenas ou nem sequer possuem uma denominação consolidada.

O Fórum Econômico Mundial mostra exatamente essa combinação. Ao mesmo tempo em que funções administrativas e clericais aparecem entre as ocupações com maior declínio esperado, crescem atividades ligadas a dados, inteligência artificial, software, segurança, energia, cuidados, educação, construção e outros setores.

O futuro do trabalho, portanto, não parece ser uma simples troca de seres humanos por máquinas.

É mais parecido com uma reorganização.

A máquina assume determinadas tarefas.

O ser humano passa a realizar outras.

Algumas profissões ficam menores.

Outras crescem.

E algumas ainda nem receberam um nome que faça parte do nosso vocabulário cotidiano.

Isso significa que tentar adivinhar hoje qual será o emprego perfeito em 2040 talvez seja menos importante do que aprender a continuar sendo útil quando 2040 chegar.

O jovem não precisa escolher hoje a profissão que terá para sempre

Eu gostaria que essa ideia chegasse principalmente a quem está começando agora.

A escolha profissional feita aos 18 ou 20 anos não precisa determinar toda a trajetória das décadas seguintes. Uma pessoa pode entrar em determinada área, adquirir experiência e perceber que suas habilidades combinam melhor com outro setor; também pode permanecer na mesma profissão e incorporar novas tecnologias ao trabalho. Mais adiante, uma mudança de carreira pode acontecer por interesse, necessidade ou oportunidade, assim como uma nova fonte de renda pode surgir de uma habilidade desenvolvida ao longo do tempo.

O ponto principal é entender que a carreira não precisa ser uma linha reta.

Aliás, talvez ela nunca mais seja.

O que não podemos confundir é flexibilidade com falta de direção.

Mudar de profissão porque o mercado mudou pode ser inteligência. Aprender uma nova habilidade porque determinada área está perdendo espaço pode ser estratégia. Investir parte da renda porque você sabe que o futuro profissional será diferente pode ser prudência.

O que eu não considero prudente é esperar a mudança acontecer para somente depois começar a se preparar.

A verdadeira profissão do futuro pode ser a capacidade de se adaptar

Quando olho para todas essas transformações, chego a uma conclusão que considero muito mais útil do que qualquer ranking de profissões.

O profissional do futuro não será necessariamente aquele que escolher hoje o cargo que mais cresce nas pesquisas.

Será aquele que conseguir acompanhar as mudanças sem perder a capacidade de pensar, aprender e tomar boas decisões.

Isso vale para o trabalho e vale para o dinheiro.

Se a renda aumentar, ele sabe o que fazer. Se o emprego mudar, ele entende que precisa se atualizar. Se uma profissão perder espaço, procura novas competências. Se receber um aumento, não transforma automaticamente todo o dinheiro em novas despesas. Se começar a investir, entende que investimento não substitui reserva de emergência nem planejamento. Se a tecnologia mudar seu setor, procura compreender como utilizá-la antes de simplesmente enxergá-la como inimiga.

Essa capacidade de adaptação pode se transformar em uma espécie de patrimônio invisível.

Não aparece no extrato bancário.

Não aparece no aplicativo de investimentos.

Mas pode determinar quanto uma pessoa conseguirá ganhar, economizar e investir durante toda a vida.

E talvez seja essa a conversa que os jovens realmente precisam ter sobre dinheiro

Quando falamos sobre juventude e finanças, muitas vezes a conversa começa pelo investimento.

Quanto investir?

Qual investimento escolher?

Quanto rende?

Qual ação comprar?

Qual criptomoeda pode subir?

Eu acho que precisamos voltar um pouco.

Antes de pensar no investimento, existe a profissão.

Antes da profissão, existe a formação.

Antes da formação, existe a capacidade de aprender.

E, depois que a renda chega, existe a capacidade de não deixar que todo o dinheiro desapareça.

A construção financeira começa muito antes da primeira aplicação.

Ela começa quando uma pessoa entende que sua capacidade de ganhar dinheiro é um patrimônio que precisa ser desenvolvido.

Depois vem a organização.

Depois a proteção.

Depois o investimento.

E, com tempo e consistência, o patrimônio financeiro começa a trabalhar junto com o patrimônio profissional.

Esse modelo me parece muito mais realista do que a promessa de encontrar uma profissão mágica que garanta um salário alto para sempre.

Nenhuma profissão oferece essa garantia.

O mercado muda.

As empresas mudam.

As tecnologias mudam.

Os consumidores mudam.

E nós também mudamos.

Por isso, eu não diria ao jovem para ter medo da inteligência artificial.

Eu diria para aprender a utilizá-la.

Também não diria para abandonar uma profissão tradicional porque alguém anunciou que ela vai desaparecer. Eu diria para entender quais partes daquela profissão estão mudando e quais competências podem continuar valiosas.

Da mesma forma, não recomendaria colocar todo o dinheiro em investimentos porque o trabalho do futuro será incerto. O caminho mais consistente continua sendo construir uma reserva, aprender a administrar a renda, desenvolver competências e investir de acordo com a própria realidade.

Porque o futuro do trabalho ainda está sendo construído.

E o futuro financeiro de cada pessoa também.

A diferença é que, enquanto não podemos controlar completamente quais profissões existirão daqui a dez ou quinze anos, podemos começar agora a construir algo muito mais resistente: capacidade de aprender, capacidade de trabalhar, capacidade de ganhar dinheiro e capacidade de cuidar bem do dinheiro que conseguimos ganhar.

Para mim, essa é a verdadeira preparação para o futuro.

Não tentar adivinhar qual será a próxima profissão da moda.

Mas chegar ao futuro preparado para aprender a próxima profissão que o mercado exigir.

imagem de executivos reunidos discutindo sobre trabalho.
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imagem de estudantes reunidos.
imagem de estudantes reunidos.
imagem de uma executiva analisando suas finanças pessoais.
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imagem de jovens reunidos.
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imagem de jovens reunidos.